Cão: Vocês já sabem que o nosso residente da República é muito
poupadinho?
Pincha: Sim. Mas, mesmo com toda a papança, o magro dinheiro que recebe lhe não chega para os gastos.
Cão: Está assim tão mal?
Pincha: Está pior do que os reformados da Caixa que não são obrigados a trabalhar desde que se lhes dê a reforma. É por essas e por outras que Cavaco Silva, obrigado a trabalhar mesmo depois de ter duas reformas, dizia que os políticos ganhavam pouquíssimo, já com a previsão da miséria em que se iria encontrar. A macroeconomia serve para isso.
Cão: Não sabia.
Pincha: Pois fica a saber que ele começou a ter de trabalhar para além da reforma, para lhe pagarem o alojcmento, a alimentação, os transportes e os pequenos extras a que é obrigado a ter de vez em quando. Também anda por aí a ver se lhe pagam o almoço e o jantar nos locais que vai visitar. Vê lá tu o sacrifício! Agora até está em Guimarães.
Cão: Não sabia que estava com tamanhas necessidades.
Pincha: Tu não sabes coisa alguma. És um cão. Por causa das dificuldades, até teve de fazer o sacrifício de vender as acções que tinha no PBN. Além disso, aquela casita que ele tinha comprado no Algarve, teve de a trocar por uma quintazinha coelheira. Foram só sacrifícios, desde que o apanharam a jeito, quando fazia, quase clandestinamente, a rodagem de uma carrito que tinha comprado. Foram sacrifícios sobre sacrifícios, dos quais nunca mais se conseguiu livrar, apesar de trabalhar até na terça-feira de carnaval.
Cão: Dizem que ele é muito poupado.
Pincha: Têm toda a razão. É poupadinho da sailva, porque até ensina os outros a pautarem pelo mesmo caminho, além de se sacrificarem pelo povo.
Cão: Porque dizes isso?
Pincha: O seu amigo Oliveira e Costa não teve que pedir alimentação e alojamento quando surgiu o boato do BPN? Tiveram de lhe dar guarida numa prisão. E depois, como saía muito caro, mandaram-no para casa. Vai lá ficando à espera do dia de São-Nunca.
Cão: Esse é só um.
Pincha: E o Dias Loureiro que teve de se sacrificar, passando de belíssimo advogado e Ministro ilustre, a simples gerente de um condomínio para turistas!
Cão: Nem todos têm de se sacrificar. Olha o Isaltino Morais.
Pincha: Esse, de facto, está à espera que a verdade «venha ao de cima», para não ter de trabalhar mais e poder viver com a magra reforma que se dá aos sacrificados políticos, quando o seu sobrinho não conseguir mandar alguns cobres de Suíça.
Cão: Estou a lembrar-me de Duarte Lima.
Pincha: Esse, coitado, é capaz de ter de ficar a tocar órgão para presos, se as más-línguas continuarem a dizer mal dele e os malditos brazucas continuarem com as suas insinuações torpes. Agora, até lhe dão alimentação e alojamento gratuitamente. Vê lá a que ponto chegou! Uma pessoa como ele, devia estar acima de toda a suspeita. Afinal, também foi colaborador de Cavaco Silva.
Cão: E o Sócrates?
Pincha: O Socatres, seguindo as prescrições do nosso actual Primeiro Ministro, emigrou para poder aguentar a vida. Também daqui a uns anos, o Freeport deve passar para o esquecimento.
Cão: Não me esqueci do Durão Barroso.
Pincha: Esse teve de emigrar, à pressa, para não passar fome como acontece agora aos portugueses. Precaveu-se a tempo.
Cão: E o António Guterres?
Pincha: Esse foi em missão caritativa e humanitária, distribuir altruisticamente alimentos, agasalhos e alojamento aos muitos desgraçados que abundam neste mundo e que não estavam no pântano que ele previu e ajudou a construir. Também teve de emigrar para sobreviver e não ficar com a miséria que se paga aos administradores da Caixa Geral de Depósitos.
Cão: Os sacrificados são muitos, mas lembras-te de mais alguns?
Pincha: Olha o Catroga. Depois de reformado ainda teve de ir trabalhar por conta dos chineses que exploram a mão-de-obra das crianças e agora, até já se dignam vir cá para explorar a mão-de-obra dos nossos velhinhos reformados, porque ainda têm bom aspecto. É necessário que haja leis contra essa exploração. E pagarem só 45 por mês? É demais!
Cão: A Justiça tem de tratar disso.
Pincha: Achas que vai fazer qualquer coisa nesse sentido? A Justiça que temos está a tratar de forma exemplar Duarte Lima, Isaltino Morais, Oliveira e Costa, Carlos Cruz e muitos outros, não os deixando fugir às suas responsabilidades, pelo menos, até que tudo prescreva.
Cão: Por uma questão de poupança, achas bem as despesas com os símbolos maçónicos e ornamentações nos gabinetes dos governantes?
Pincha: Não sei porque estás contra a cultura. São ornamentos que orientam os dirigentes para rumos certos. Além disso, quem os fabrica, ganha com a indústria e com o aumentando da produtividade e da competitividade nacionais.
Cão: De facto, a indústria dos carros, das mobílias, dos equipamentos, dos artefactos, etc. ganham com isso.
Pincha: Já me estás a dar razão. Senão, qual seria o seu contributo para a economia nacional? Eles até se sacrificam para coleccionar quadros e obras de arte!
Cão: Lembras-te de mais algum sacrificado?
Pincha: Agora, lembro-me do almoço, para eu não ficar ainda mais sacrificado com a fome que tenho e o raspanete que vou apanhar em casa, se a comida tiver de ser aquecida de novo. Olha que a electricidade não está barata e, enquanto ainda houver a bucha, tenho de a aproveitar.
Gostei da vossa paródia acerca duma situação séria. Pelo menos podemos divertir-nos um pouco para compensar as agruras da vida ou desviarmo-nos delas.
Continuem assim, que nos vão dando reforço do comportamento incompatível durante algum tempo.
Francamente, estes politiqueiros de merda não têm vergonha de nos andar a enfiar o barrete, fazendo de nós parvos e estúpidos.
O que eles necessitam é de um pontapé para fora deste país.