DIALÉCTICA

24 11 2011

Cão: Ora, até que enfim bons olhos te vejam.
Pincha: Estive a entreter-me com alguns trabalhos suplementares e esporádicos para conseguir sobreviver com o aumento do custo de vida, diminuição do vencimento e proliferação de impostos.
 
Cão: Parece-me que os nossos companheiros na desgraça também estão a tentar fazer mais uns biscates.
Pincha: Que remédio têm eles? Senão, vivem de quê?

Cão: Ouvi eles falarem em dialéctica e estou com curiosidade de saber o que é.
Pincha: É a arte de conseguir persuadir os outros, através do raciocínio e da argumentação, acerca de um determinado número de coisas que interessam aos que se encontram em comunicação.
 
Cão: Então, queres dizer que estou certo.
Pincha: Certo, em quê?
 
Cão: Estou, a ouvir vários membros do actual governo e especialmente o ministro da economia, a dizer coisas que argumenta para dizer que está tudo certo e, logo depois, diz significar exactamente o contrário.
Pincha: Também me parece.

Cão: Não eram os comunas que valorizavam muito a dialéctica? Pelo menos, usam-na muito.
Pincha: Sempre foram óptimos nisso. Quando falam, parece que o comunismo é o melhor dos mundos. Não sei para quem. Todos querem sair de lá porque vivem quase na miséria. É pena não termos conhecido esse paraíso enquanto o velho das botas estava vivo. Talvez conseguíssemos ter uma melhor visão do mundo do que aquela que tínhamos antes do 25 de Abril. Estávamos tão entretidos na nossa civilização cristã ocidental, a melhor e a mais pura do mundo, que ficámos a guardar as nossas províncias ultramarinas sem lhes dar qualquer autonomia que agora sobra para as Ilhas. E o resultado foi…  regressarmos agora como cooperantes quando poderíamos nunca ter deixado de o ser, se houvesse dois dedos de testa na condução dos negócios da Nação.

Cão: Para isso, era necessário que os donos do poder fossem removidos dos postos de comando em que estavam.
Pincha: Sim. O «25 de Abril» fez isso, mas tudo o que aconteceu logo depois deu uma volta tão grande que até hoje não conseguimos ter uma vida aceitável e um desenvolvimento que nos deixe estar precavidos quanto ao futuro. Como já te disse, enorme influência teríamos no mundo se as coisas fossem conduzidas de outra forma, incluindo gostosamente o Brasil nesta aventura. E como será o futuro? Os que agora tomaram conta do poder, não farão o mesmo que os antigos fizeram e que os actuais estão a imitar em todo o lado? O destino de todos nós será emigrar?

Cão: Todos, não. Os donos do poder não saem do sítio onde estão. Continuam sempre a fazer pelo seu povo o sacrifício de lá estar.
Pincha: Mas esses são sempre necessários em qualquer país. Vê lá se em Portugal, aqueles que se sacrificam pelo povo e ficam a governar(-se) fazem qualquer tentativa de deixar o tacho. Mesmo depois de dizer que não querem, continuam. E, se forem obrigados a sair, voltam. Falavam mal de Salazar. O que faz Cavaco? E Jardim vai rivalizar com quem? Estes, por acaso, não são da esquerda. São da direita. Porém, todos têm uma coisa em comum: sacrificam-se pelo povo.

Cão: Não será verdade que eles querem, de facto, trabalhar pelo bem comum?
Pincha: Não sei. Se o bem é do povo e povo sabe o que quer, qual a razão de tantas campanhas políticas gastando o dinheiro desse povo, já sacrificado com impostos, para o convencer a votar nesse salvador? O povo já o conhece e, como confia nele, vota nesse salvador. E qual a razão de haver tanto abstencionismo e votos nulos ao votar nesse bem conhecido salvador, se é isso que o povo quer? Qual a razão de não haver um quadradinho, para dizer que nenhum dos concorrentes interessa a um determinado segmento da população. Até na Assembleia da República existem votos a favor, contra e abstenções. Na nossa votação só temos votos a favor e abstenções. Onde ficou o contra?
 
Cão: Deve haver uma razão para isso.
Pincha: Seguramente, há uma razão. Uns falam mal do Sócrates, do Guterres e de outros que tais, para lhes atribuírem o descalabro actual, sem se referirem ao Cavaco, que o começou, prometendo aos portugueses, dentro de poucos anos, vencimentos iguais aos do resto da Europa. Esses tempos já lá vão há muito. Outros, atribuem os malefícios actuais às governações anteriores como se eles também não tivessem estado envolvidos nas mesmas. Mal se apanham no poder, com toda a economia que é necessário fazer, desatam a fazer nomeações políticas e de assessores, consultores e outros que tais. Que grande Justiça! Se não houvesse dialéctica, como é que iriam justificar tudo isso para enfiar o barrete ao Zé Povinho?


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Informação

3 respostas

4 12 2011
Anónimo

Não sabemos aonde vamos parar com tanta dialéctica que não passa de aldrabice pegada.

5 12 2011
Anónimo

O nosso primeiro consegue dialogar muito melhor do que o italiano.
Qual a razão de não lhe seguir o exemplo, tanto mais que é um homem que já esteve nos principais bancos?
Tem melhor dialéctica.

5 12 2011
Anónimo

O sistema comunista, o melhor do mundo, também vai entrar em colapso?

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