AS COM$EQUÊNCIAS

19 10 2011

Cão: Estás aqui sozinho a ler a Campanha Alegre, de Eça de Queiroz?
Pincha: Com todo o gosto, assim como releio muitos dos seus livros de vez em quando. São magníficos.
 
Cão: É interessante? Parece que te estás a divertir bastante.
Pincha: No tempo dos Vencidos da Vida as coisas também não corriam muito bem, como agora.
 
Cão: Ouvi vocês discutirem o orçamento e não gostei do que ouvi.
Pincha: Pode ser que tenhas razão ou não tenhas percebido bem.
 
Cão: Para mim, o pior de tudo é as pessoas ficarem com fome.
Pincha: Não compreendo porque. Ouves tantas vezes dizer que Portugal, como muitos dos países do Ocidente, tem problemas de obesidade. Só se pode ter obesidade quando se come muito. Os que têm fome, não são obesos. Portanto, os portugueses têm a rara oportunidade de reduzir ou erradicar a obesidade com as actuais medidas. Depois, já habituados a comer pouco, vão entrar na linha. Não gastamos com médicos nem com medicamentos para curar uma doença muito perniciosa. É mais uma vantagem para a saúde pública e privada.
 
Cão: E o aumento de desemprego?
Pincha: As centrais sindicais não se queixavam de horários de trabalho exagerados? Sem trabalho, não há necessidade de gastar horas no trabalho. Dá para fazer ginástica, para ter tempos livres e até para fazer turismo. Vai ser uma vida de divertimento. É só querer.
 
Cão: E o aumento dos transportes?
Pincha: Tem a vantagem de podermos ir a pé e fazer ginástica sem necessitar de pagar os ginásios. Consegue ser melhor do que o Vibroplate. Não necessitamos de adquirir o aparelho.
 
Cão: O aumento do IVA vai deixar muita gente com dificuldade de fazer compras para o seu dia-a-dia.
Pincha: Quantas vezes compramos coisas desnecessárias? Além disso, até podemos poupar as visitas aos supermercados e outras lojas. Ficamos com mais tempo livre para descansar, em vez de o perdermos nas compras.
 
Cão: Os cortes no ensino não vão deixar muita gente sem uma instrução devida?
Pincha: De modo algum. Não conheces a «geração à rasca»? São todos com bastante instrução ou, pelo menos, têm diplomas. Se não houvesse tantos nessa situação, não estariam à rasca. Estariam todos colocados em postos de trabalho remunerados. Deixaria de haver esse saldo negativo entre formados e colocados.
 
Cão: E a falta de segurança que vamos ter com as suas Forças mal remuneradas, subequipadas e insatisfeitas?
Pincha: As forças de segurança só são necessárias quando existe insegurança. Essa insegurança é provocada por pessoas insatisfeitas e em condições físicas aceitáveis para executar crimes, roubos, desacatos e tumultos. Se com todas as medidas tomadas, as pessoas vão ficando cada vez mais desnutridas e fracas, como poderão ter força para todos esses actos de que falei e que provocam a insegurança? Nestas condições, além de não se preverem desacatos, não serão necessárias tantas forças de segurança. Outra economia.
 
Cão: E o Presidente da República que de vez em quando fala e parece que se contradiz?
Pincha: Isso nunca! Ele fala, mas os que o filmam têm as máquinas pouco sincronizadas. Quando ele abre a boca, as palavras que saem deviam ter saído antes ou mais tarde. É um problema de sincronização das máquinas. Há mais de 15 anos que assistimos às suas intervenções desde que foi obrigado a tomar conta da Nação quando por engano ou fastio foi dar uma volta grande para fazer a rodagem dum carrito que comprou naquela ocasião e não tinha condutor para o conduzir.
 
Cão: Então, achas tudo bem?
Pincha: Vocês são uns más-línguas! Falam mal de tudo em vez de aproveitarem o tempo para se treinarem, como estão a fazer os aprendizes de ministro que, depois de cumprida a missão, podem ir para o FMI… Tudo fixe meu!


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4 respostas

5 11 2011
Trabalhador anónimo

Estes aprendizes de ministro, como vocês dizem, já resolveram eliminar o metro num determinado horário nocturno.
O que vão fazer os desgraçados que não têm outra alternativa de transporte (económico ?) para continuar a trabalhar?
O que dizem vocês?

6 11 2011
compincha

Os beneficiários destas medidas, devem ficar ainda mais satisfeitos porque podem conseguir dispensar os seus alojamentos para passar a viver à porta das fábricas, das empresas ou do estacionamento do transporte que mais lhes convier. É mais uma economia. Você não pensa no trabalho que os ministros têm para engendrar todas estas medidas? Você só sabem falar mal. Vejam os benefícios que estão a ter desde que o aprendiz de feiticeiro, agora o máximo, começou por fazer a rodagem do carro. Vocês são uns ingratos.

5 12 2011
Anónimo

Vamos agora para os fundos das pensões para estarmos de novo mais endividados ainda dentro de pouco tempo?

24 12 2011
Anónimo

As piores consequências vamos aguentá-las a partir do próximo ano e não sabemos quando vão abrandar.

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