O FUTURO DE NÓS DEPENDE

16 10 2011

Cão: Já não nos víamos há muito tempo. A tua permanência lá fora foi boa?
Pincha: Saudades de cá sempre tive, mas é necessário ir lá para fora de vez em quando para reabastecer a bolsa. Vês? O Governo até nos estimula a fazer turismo…

 Cão: Já tens pleno conhecimento das medidas que estão a ser tomadas cá?
Pincha: Julgo que sim, mas acho esquisito que estejamos em crise só agora. Hoje que está cá muita gente, gostaria de partilhar com todos as ideias sobre este assunto.

Cão: Então, depois da discussão (porque eu não entro nela) gostaria que fizesses uma síntese daquilo que for aqui aventado.
Pincha: Concordo plenamente e vamos a isso.

Cão: Chegou a tua vez, desde o momento em que estão todos cansados de falar.
Pincha: Agora, depois da discussão, cá vai a síntese das principais ideias, parecendo-me que quase todos os intervenientes têm razão.
Salazar tomou conta da situação quando tudo estava mau. À custa de sacrifícios de muita gente, conseguiu endireitar as finanças na primeira década da sua governação. Depois, apesar de ter dado o exemplo da seriedade na governação, deixou florescer à sua volta uma quantidade de vigaristas e arrivistas que conseguiram tomar conta da situação. Foram prosperando e deixando a população descontente, a começar pelas colónias. Começou-se o disparate da guerra do ultramar em vez de se optar por elevar o nível cultural e educacional de toda a população, a começar pelo continente. Com populações pouco alfabetizadas e divididas consegue-se «governar» ou dominar melhor.
Com o descontentamento gerado por essa governação que podia ser facilmente modificada por Marcelo Caetano, deu-se a «revolução dos cravos» que durou, entre 24 de Abril e 2 de Maio (0,25).
Vieram depois os revolucionários e os arrivistas que conseguiram empobrecer o país que começava a sair do sufoco em que tinha estado. Começaram as desorientações e os descalabros com as nacionalizações, amplas liberdades e outras coisas, tais como o dia do trabalhador, que o povo conseguiu rejeitar a tempo para não ficarmos ainda pior do que na Rússia.
Surgiram depois os redentores que não acertaram nas fórmulas adoptadas a ser a de «apertar o cinto» que foi sendo rejeitada por alguns até que liquidaram convenientemente Sá Carneiro. Em que ficaram as contas que Adelino Amaro da Costa queria examinar? Isso não convinha a quem?
Depois, numa volta de carro para fazer a sua rodagem houve um prestidigitador que esbarrou num congresso que o catapultou para primeiro-ministro. Trabalhava tanto que até na terça-feira de carnaval estava ocupado. Pudera! Para construir o Centro Cultural de Belém, e a nova sede da Caixa Geral de Depósitos com todos os luxos, não se podia trabalhar menos nem os empreiteiros das obras o deixariam. Quem serão? Nós ficámos com a promessa de que no decurso do mandato começaríamos a ganhar como nos restantes países europeus. Passados mais de 15 anos, compreende-se que deviam ser, provavelmente, os da Búlgaros ou os Romenos..!
Vieram depois os magnânimos que prometeram as benesses que faltavam. Eram umas migalhas para os pobrezinhos e para os que gostam de receber sem trabalhar. Para os que teriam a árdua missão de tomar conta das fundações, institutos, empresas, parcerias, sucatas, etc. que já não cabiam nas simples direcções-gerais do governo, dispunha-se, logicamente, de mais uns cobres.
Passamos a ter assim um Governo robusto, com muitos satélites à volta, muita gordura e pouco músculo. Para isso, havia que dotar a Justiça de meios que pudessem colmatar o excesso de células cinzentas e a falta de músculo dos dirigentes, com protecções diversas e adequadas.
As prescrições e as formalidades processuais dão muito jeito em imensas situações a muita gente, especialmente quando os assuntos são melindrosos, não interessa que os outros saibam e muito menos cumprir penas. É uma questão de segurança ou segredo de estado para os montantes que saem do país ou ficam guardados em contas dos familiares.
Temos finalmente uma democracia honesta, com um governo livremente eleito e que consegue dar volta a tudo com o dinheiro e o sacrifício dos outros e a justiça que temos.

 Cão: Não estás satisfeito?
Pincha: Satisfeitíssimo, porque foi o povo português que elegeu este governo. Senão vejamos o panorama total das maravilhas feitas à custa da «revolução dos cravos». Quem foram os Primeiros-Ministros e quanto tempo tiveram para implementar os seus disparates?
Oliveira SalazarMar33Set68 – (35,5)
Marcello Caetano – Set68Abr74 – (5,6)
Junta de Salvação Nacional SpínolaAbr74Mai74 – (0,1)
Palma CarlosMai74 – Jul74 – (0,2)
Vasco Gonçalves – Jul74 – Set75 – (1,2)
Pinheiro de Azevedo – Set75 – Jun76 – (0,9)
Almeida e Costa (int) – Jun76 – Jul76 – (0,1)
Mário SoaresJul76Ago78 – (2,1)
Nobre da Costa – Ago78Nov78 – (0,2)
Mota Pinto – Nov78Ago79 – (0,8)
Maria de Lourdes PintasilgoAgo79Jan80 – (0,5)
Sá-CarneiroJan80Dez80 – (0,9)
Freitas do Amaral (int) – Dez80Jan81 – (1,0)
Pinto BalsemãoJan81 Jun83 – (2,3)
Mário SoaresJun83Nov85 – (2,4)
Cavaco Silva Nov85Out95 – (9,9)
António GuterresOut95Abr02 – (6,5)
Durão BarrosoAbr02Jul04 – (2,3)
Santana LopesJul04Mar05 – (0,7)
José Sócrates Mar05 Jun11 – (6,3)
Passos Coelho Jun11 …?

Cão: Pelos vistos, Cavaco Silva foi quem esteve a maior parte do tempo no Governo. Foi aliviado desse sacrifício só ao fim de mais de 9 anos. Quase dez! Ninguém, exceptuando Salazar, ficou mais tempo! E agora, está na presidência da República!
Pincha: É o que eu chamo o sacrificado do povo, seguido de Guterres e de Sócrates que conseguiram superar Marcello Caetano. Não sei porque é que não ficaram lá mais tempo, tal como o Alberto João e o Isaltino.  

Cão: Haveria outra solução?
Pincha: A outra solução é termos consciência da nossa obrigação de participar na vida política desde o início, começando por evitar CCB e CGD inúteis, para termos coisas mais consentâneas com a nossa realidade económica, financeira, política e social. Implementando as indústrias e as exportações, com meios de comunicação social mais realistas menos especulativos e espectaculares, mas mais actuantes para desnudar todas as maravilhosas legalidades com que o povo português vai sendo enganado, talvez se consiga melhorar qualquer coisa. Senão, Portugal irá ficando cada vez mais endividado e descrente num possível futuro de menor angústia do que em quase todo o século anterior.

Cão: Achas que isso é possível?
Pincha: Se não se começar já, não o será com certeza. Porém, se nos começarmos a consciencializar, talvez dentro de uma década ou pouco mais, tenhamos um Portugal diferente a começar a caminhar para uma democracia real. A Juventude INDIGNADA que o diga. O importante é semear e cuidar da planta para ela possa crescer saudável e dar bons frutos.

Cão: Estás a ouvir as palmas dos nossos amigos?
Pincha: Se acham bem, vão todos começar a trabalhar no que é preciso com pais, filhos avós e netos, sem ser na terça-feira de carnaval. O povo necessita também de se descontrair e aliviar as tensões do trabalho. Mudem as mentalidades e deixem-se de comodismos.


Acções

Informação

2 respostas

7 11 2011
Anónimo

O Paulinho das Feiras já se terá esquecido dos chorudos vencimentos dos nossos dirigentes ou estará mais ocupado em ver os vencimentos dos dirigentes dos outros países?
Agora que é Ministro dos Negócios Estrangeiros já se pode dar a esse luxo.
Bonitos políticos que temos cá em casa!
Esquecem-se do que não se lembram.
Assim o Isaltino nem vai ter de se lembrar dos anos de prisão.

15 11 2011
Anónimo

Concordo perfeitamente com o conteúdo deste poste.
Agora, o Ministro da Economia começa com as suas afirmações, explicações, justificações e dialécticas.
Quais são os sacrifícios que esses mafarricos da governação estão a fazer?
Nomear cada vez mais amigos e familiares para seus colaboradores, pagos à nosso custa?
Já não se chamem “boys” e “girls”. Mudaram de nome e continuam a enxamear os meandros do poder.
Como vocês propoõem, quando é que vamos ter no boletim de voto um quadradinho para assinalarmos com um “NAO” toda esta farsa política?
Se os politicos tiverem coragem de implementar esta medida, vão verificar que as abstenções irão diminuir drasticamente.,

21 12 2011
Anónimo

O futuro depende de conseguirmos obrigar todos os membros do governo a emigrar para um país muito distante.
Não fazem cá falta nenhuma!
Não compreendo porque alguns regressaram se se consegue estar tão bem lá fora!

Deixar um comentário

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s




Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.