DE POETA E DE LOUCO, TODOS TEMOS UM POUCO

4 02 2010

Cão: Já não conversávamos há muito tempo! Soubeste a confusão que se criou à volta de Mário Crespo que tantas novidades nos proporcionou?
Pincha:
Se calhar, houve alguém que não gostou dessas «novidades».

Cão: Chamarem-lhe débil mental e impreparado para o jornalismo, nem que seja a brincar, é demais.
Pincha: Também tanta gente pensa que quem diz isso pode ser um vigarista bem disfarçado de honesto, outro débil mental ou, simplesmente, alguém que não o conhece ou quer que ele não fale das coisas porque o incomodam. Lembras-te da nossa conversa sobre o «desbocado»? Qualquer dia, também lhe chamam «maluco» ou «velho demente», se não lhe atribuírem um epíteto ainda pior. No tempo do «antigamente» até eram capazes de lhe chamar «subversivo». É um método que qualquer ditadorzeco ou aspirante a isso utiliza quando as coisas não lhe correm de feição.

Cão: Achas isso bem?
Pincha:
Acho muito mal e, por isso, fiquei muito satisfeito até ao 2 de Maio, porque comecei a compreender que a partir daí iam surgir mais candidatos a ditadores porque o POVO só estava preparado, como até agora, a «aguentar» e nunca aprendeu a ser autónomo, independente e audacioso. E isso foi em 1974!

Cão: Porquê?  
Pincha:
Porque não é instruído nem educado para ser independente. Tem pouca instrução e necessita de um paizinho que o ajude a pensar e decidir. Não quer correr riscos nem deseja mudanças. Quer «o pão nosso de cada dia» sem grande esforço e, se tiver alguma «folga monetária», procura adquirir algo mais do que o vizinho para se sentir superior. E os governantes exploram tudo isto embora digam que fazem muita coisa para aumentar o nível de instrução. O que mais proporcionam são equipamentos caros e raros que se acumulam sem a utilização devida, mas que dão lucro a quem os adquire.

Cão: Achas que não somos suficientemente independentes?
Pincha:
Ficamos sempre muito satisfeitos quando e Europa ou a América nos elogia. Será que não temos capacidade de nos auto-avaliarmos? Desconhecemos o nosso valor? O que fazem os emigrantes que só prosperam quando vão lá para fora e lhes são reconhecidas as suas capacidades? Os que ficam, quando são capazes, nunca vêem reconhecido o seu valor, a não ser que pertençam a algum «lobby». Os «deste» são glorificados e apresentados pelos nossos governantes como sacrificando-se pela Nação ou pelo Povo. Não existe ninguém que passe pelo governo que seja considerado incapaz até ser substituído, pela «força das circunstâncias» para ir depois «abichar» um qualquer «tacho» previamente combinado.

Cão: Falas mal dos governantes mas repara que eles até já querem colocar os rendimentos na Internet.
Pincha:
Os rendimentos de quem? Deles? Vão dizer quanto ganham? Quais as mordomias de que gozam? Carros, casas, ajudas de custo e de representação, viagens, cartões de crédito, etc. etc.? Quais as suas contribuições no IRS? Ou será que eles desejam «mascarar» muita coisa mandando o povoléu apresentar as suas contas? Quando os funcionários não são aumentados, qual a razão de se aumentarem as despesas deles? Se não houvesse no jornalismo «débeis mentais» como o Mário Crespo e «desbocados» como o Medina Carreira, o que saberíamos nós dos «meandros» da governação e dos assuntos públicos? São assuntos que me obrigam a pensar muito e a ficar preocupado. São coisas que a ti não dizem respeito porque o teu dono te dá comida e abrigo. Eu tenho de me governar sozinho.

Cão: Tens cada uma!
Pincha:
Tirando os exageros de alguns e dos que andam a soldo de outros, se não tivermos um jornalismo interventivo para pôr a nu as mazelas da nossa sociedade, voltaremos ao «antigamente» dentro em breve porque a população, embora pouco alfabetizada, nada interventiva e muito capaz de ir atrás do «conto do vigário» que todos os aspirantes a governante «despejam» para cima dos cidadãos nas campanhas eleitorais, deixa-se ir atrás das facilidades e das «promessas». 

Cão: Queres dizer que não estás satisfeito?
Pincha:
Quero afirmar que estou desiludido até com as últimas eleições e desejo apenas que exista um quadradinho onde possa votar que não concordo com qualquer dos candidatos. Desejo sinceramente que apareça alguém com «sentido de Estado» e que, pelo menos durante o seu mandato, ponha os interesses do POVO acima dos seus.

Cão: E o que dizes de Mário Crespo?
Pincha:
Só lhe posso mandar um abraço de muita simpatia e apreço pelo seu trabalho de «débil mental e louco» porque o outro «caso» qualquer dia será resolvido pelo povo se continuar como até agora. Até já comecei a dar mais atenção ao Paulinho das Feiras depois de o ouvir hoje na sua «convenção» ou coisa que valha. Que Mário Crespo continue a trabalhar na sua «loucura», contra ventos e marés, como até agora.

Cão: Queres dizer que de poeta e de louco todos temos um pouco?
Pincha:
Sim. De vigarista e embusteiro é que não. Só alguns privilegiados que se acoitam no meio de outros comparsas.





A FACE «HONESTA»

16 11 2009

Cão: Já reparaste nas confusões e contradições que existem por causa da «face oculta»?
Pincha:
Já. Isto acontece porque a face «honesta» não veste as roupagens que deveria vestir.

Cão: Não consigo compreender.
Pincha:
Eu explico. Toda a gente veste fatos de última moda, bem talhados, bem apessoados, com gravatas únicas escolhidas a dedo e perfumes caros, mas as camisolas e as cuecas estão em muito mal estado. Talvez até cheirem mal.

Cão: O que queres dizer com isso?
Pincha:
As pessoas que se aproximam deles (ou delas … esqueci-me de falar nos vestidos e nas jóias), se não se deixarem deslumbrar pela aparência (que ofusca qualquer um), ficam incomodadas com o cheiro subtil que essas pessoas dimanam de si.

Cão: Estás a ser muito subtil!
Pincha:
Estou apenas a ser realista e a ver aquilo que se passa.

Cão: O que queres dizer com isso?
Pincha:
Aquele comentário feito por um anónimo no dia 11 de Novembro, no nosso post HAJA JUSTIÇA JUSTA E PARA TODOS, de 19 de Agosto, não te diz nada? Qual a razão de Sócrates se incomodar com as escutas feitas a Armando Vara, escutas que se poderiam fazer a qualquer um que fosse suspeito de estar metido nalguma trafulhice? Receia alguma coisa contra ele próprio? Se Vara for culpado, qual a razão de não responder pelos seus actos e ser punido como qualquer outro cidadão? Por ser amigo do Sócrates deverá ser sumaria e antecipadamente ilibado de todas as culpas? E Sócrates deverá ficar sempre acima de qualquer suspeita? E porque as confusões e insinuações que houve entre Cavaco e Sócrates antes das eleições? Receavam alguma coisa um do outro?

Cão: E se todos os imensos implicados na «face oculta» resolvessem telefonar ao Primeiro Ministro, todas essas escutas seriam inutilizadas?
Pincha:
É uma boa pergunta para a qual não tenho resposta. Talvez seja por causa de uma linguagem vernácula menos própria para ouvidos menos preparados. É por este motivo que vemos a bolinha encarnada em certos filmes exibidos na televisão. Deve ser para não chocar a sensibilidade de alguns.

Cão: Mas qual o receio de Sócrates em relação a isso?
Pincha:
Não sei. Mas sabes que ele se fartou de trabalhar, mesmo na sua terra natal, fazendo projectos de construção de edifícios, etc. Depois, foi sempre somando trabalhos e insinuações com o Freeport, etc. Com todo este trabalho que tem aguentado desde há muito tempo e com as vigorosas campanhas eleitorais, pode nem ter tido tempo de mudar de cuecas.

Cão: É uma boa razão para estar preocupado.
Pincha:
Como vês, já te dei uma explicação plausível. Se agora, depois de ser o novo Primeiro-Ministro, pintadinho de fresco, tivesse algum tempo de descanso para tratar da sua higiene pessoal e mudar de roupa interior, seria uma boa oportunidade para mudar de visual e de perfume. Assim, a face oculta viria ao de cima, em primeiro lugar!





VIVA A REPÚBLICA

8 10 2009

Cão: Viva a República já que estamos no dia 5 de Outubro. Onde estiveste para eu não te ver há tanto tempo.?
Pincha:
Viva! Estive entretido com as eleições e com os sucessivos comunicados, informações e esclarecimentos, que foram dados como que para evitar confusões e intromissões e que só agravaram a situação. Estou cada vez mais confuso e não sei se alguém do Governo andou a espiar a Presidência ou se aconteceu o contrário. Ninguém desmentiu categoricamente aquilo que foi aflorado durante a campanha eleitoral. Não estou «asfixiado» mas sim «atordoado» com insinuações, suspeições e palavreado a mais e esclarecimentos a menos.

 Cão: Mas não gostas da democracia?
Pincha:
Se a República foi instituída, ela significa coisa pública (res publica), isto é, de todos, uma comunidade em que todos possam ser ouvidos e consigam gerir os assuntos de acordo com a vontade da maioria, sem subjugar as minorias. Mas se chamas democracia, a isto que temos no nosso país, dispenso-a. Na democracia, deve haver jogo claro, com preponderância dos mais votados que devem respeitar também os menos votados. Todos têm direito à vida e ao bem-estar. Numa democracia, o importante, é ter respeito pelos outros. Numa verdadeira democracia não seria necessário «proibir» oficialmente o fumo dentro de determinados espaços. Bastava algumas pessoas mostrarem-se incomodadas ou os fumadores saberem que essas pessoas se incomodavam com o fumo, para eles deixarem de fumar para não prejudicar a saúde dos outros. Há muito que já se sabia deste malefício. Contudo, há pessoas que até fumam na cama prejudicando a saúde do cônjuge! Bonita democracia onde não existe respeito pelo outro. Este respeito pela lei e pelo outro, nem aconteceu no avião em que membros do Governo viajaram logo depois da proibição. Onde ficou a democracia desses sujeitos? No pagamento da multa? O respeitinho pelos outros é muito bonito, até pelo inimigo que pode ser combatido frontalmente e não de forma insidiosa. Na campanha do democrata de Oeiras, houve distúrbios «democráticos» enquanto ele, democraticamente, faz a sua campanha, apesar de ter sido democraticamente condenado. Achas bem?

 Cão: Estás a ser radical! Isto é possível?
Pincha:
Desde que as pessoas sejam educadas a ter respeito pelos outros, é possível alterar muita coisa. Contudo, em que se baseia a nossa educação? Na tentativa de superar os outros sem ser por uma via saudável? Criar dificuldades, sempre que possível, para deixar os outros na nossa dependência é bonito? Quantos deixam de fazer isto, não só com os cargos que ocupam na hierarquia do Estado ou nas Empresas, mas ainda em família? Quantos não tentam enriquecer à custa do trabalho dos outros? Será necessário haver normas do Estado para se pagarem salários justos? Se os salários iniciais são magros, porque a empresa está a começar, qual a razão de o mesmo não aumentar proporcionalmente aos lucros obtidos? Ou então, qual o motivo de não se distribuírem os lucros logo que eles existam, em função do trabalho desenvolvido por esses trabalhadores inicialmente mal pagos? Isso é só para os gestores e altos dirigentes? A empresa até podia distribuir novas acções pelos seus trabalhadores. Assim até eles estariam interessados em melhorar a produtividade e receber os lucros futuros. Bastava só isto para evitar muitos mal-entendidos, greves e revoltas. É verdade que alguns não compreenderiam a situação e criariam dificuldades, mas rápida e facilmente seriam «abafados» pela maioria.

Cão: Tens razão.
Pincha:
E agora, quando chegar a ocasião de formar governo, haverá capacidade de o Novo Sócrates conseguir dialogar com os outros partidos e gente independente, para ter ministros novos em algumas pastas que foram muito mal geridas no governo actual, provocando baixa de «cotação» neste sufrágio? Alguns têm de ser forçosamente substituídos por outros que saibam dialogar e consigam «entender» as aspirações da população, sem «malhar» seja em quem for. Reflexões profundas serão necessárias para que o novo governo não fique «de pantanas» com pouco tempo de governação. De Belém, ele deve ter pouco apoio. Se não se portar com muita sabedoria, pouca teimosia e capacidade de observar, perscrutar, dialogar e ser flexível, teremos de voltar às urnas outra vez dentro de pouco tempo. E teremos de enfrentar a «verdade» que abunda na Madeira e começa a haver também no «contnente colonialista». Já não estamos no tempo de Salazar quando tínhamos de comer o que nos davam e calar a boca. Os tempos mudaram e todos temos de aprender a viver e a conviver sem autoritarismos. Isto aplica-se especialmente aos políticos que dizem estar a trabalhar para o povo.

 Cão: E como vais arranjar políticos que sejam «decentes»?
Pincha:
Muito simplesmente, arranjando mais um quadradinho, para além dos candidatos, para democraticamente podermos dizer que nenhum deles presta e que não votamos nos indivíduos propostos. Se não for assim, de que modo consegues dizer que não concordas com qualquer deles? Um voto em branco não significa isso. A abstenção também não. O risco ou uma cruz no boletim total seria uma boa forma de expressar esta ideia, mas não é legal. É necessário que possamos estar legalmente aptos a exprimir a nossa ideia. Senão, ficamos a comer só aquilo que nos dão ou passar fome. E esse restaurante pode ter pouca frequência por causa disso, com a abstenção que se manifesta cada vez em maior quantidade demonstrando um grande desgosto e descrença do povo para com os seus dirigentes. Que haja honestidade e coragem dos futuros «novos governantes» para instituírem uma medida destas e tirar a prova dos nove. Assim é que fico satisfeito com a tentativa de instituir uma democracia a sério!





E AGORA COMO SERÁ?

28 09 2009

Cão: Estava ansiosamente à tua espera para comentares o resultado da votação nas eleições. O meu novo amigo, o velho do portão, também quer conhecer a tua opinião. Ficaste satisfeito?
Pincha:
Não fiquei satisfeito porque o partido da abstenção continuou a ganhar, mas também não estou triste por várias razões. O PSD não teve a maioria que pretendia, o PS não teve a maioria absoluta para disparatar à sua vontade; o CDS e o BE tiveram uma melhoria significativa na votação. Foi o tal voto útil que Francisco Louçã pediu e conseguiu, assim como a «mexida» de Paulo Portas pelas feiras, mercados e casas de velhinhos, para vender a ideia de que um governo «coligado» da direita seria possível, deu os seus frutos. Agora, espero que qualquer coligação ou o voto útil não se transforme em esperança inútil

Cão: Mas estás à espera de alguma reviravolta ou milagre?
Pincha:
Não é bem isso. Com este resultado, não me parece possível um governo PSD+CDS e muito menos PS+PSD, mas o PS pode formar governo com coligação ou gerir a situação com acordos pontuais. Assim, quer o CDS quer o BE, mesmo que não façam parte do Governo, podem controlar a situação evitando muito daquilo que criticaram anteriormente. Para isso, é preciso que não seja faccioso, que compreenda as verdadeiras necessidades da população e que não se bandeie para o lado dos mais poderosos, que tudo farão para o manietar se as medidas tomadas não lhes convierem. Por mim, ficava mais satisfeito com o BE. Mas, de qualquer modo, é importante que um novo governo não ponha de parte a utilização de membros de qualquer outro partido, desde que entrem, com coerência, nas promessas do grupo maioritário. Existem muitos pontos de concordância apesar de qualquer dos partidos dizer o contrário.

Cão: O que é que estás a esperar concretamente? Pincha: No outro dia, já disseste muito daquilo que pensa o velho do portão. Concordo com a ideia dele e já falámos nisso várias vezes.
No post Confusões, Insinuações e Dúvidas, de 23 de Setembro, concordámos que a Justiça está lenta, dispendiosa e muito má para o povo honesto enquanto é um óptimo trunfo para os grandes e criminosos. Deveria ser célere e igual para todos. Os artifícios para o protelamento e para o aumento da burocracia deveriam ser banidos. Falámos nisso no nosso post Todos «Honestos» Todos Livres, de 30 de Julho. Além disso, transcrevemos o desabafo do velho do portão no nosso post O Programa de Governo, de 20 de Julho. Tantos casos que ainda não foram julgados, continuando os pretensos arguidos a pavonearem-se à vontade, até na governação e nos partidos políticos, sem ninguém os conseguir conter na sua «ambição»!
Os prémios e as benesses para os «gestores» e «empresários» são exagerados. Deveriam ser congruentes com o salário mínimo, em comparação com os dos outros países europeus.
A Saúde é um direito que não é dado a todos. Os utentes que o digam na sua luta para conseguirem um tratamento adequado ou o medicamento necessário.
O ensino não pode ser devidamente administrado com professores insatisfeitos, desmotivados, sem o apoio e reconhecimento que devem ter.
Os negócios do Estado têm de ser, de facto, transparentes e não aparentemente sérios, com os membros do Governo a garantirem que o são e os cidadãos a suspeitarem que não.
As indústrias produtivas quase nunca têm tido o apoio necessário. Não vale a pena falar no grande projecto agrário em Grândola que deu com os burrinhos na água, nem as confusões que se fizeram com o apoio a certos grupos económicos que deveriam ser evitadas: metem as massas ao bolso e, logo que as esbanjam, põem-se a milhas. Veja-se o esbanjamento de certos fundos comunitários. Também não falemos no Freeport, sem o qual poderíamos passar muito bem. As indústrias têm de produzir e exportar para contrabalançar a importação que, por enquanto, é inaceitável para a nossa sobrevivência e desenvolvimento.
As nacionalizações já deram o que podiam no tempo das «amplas liberdades», assim como os monopólios no tempo da «democracia orgânica» e, por isso, têm de ser «controladas» com cuidado, utilizando o critério da vantagem para o povo. Além disso, os gestores nem sempre são escolhidos e compensados de acordo com a sua competência e rendibilidade.
A agricultura, a pecuária e a pesca deveriam ser fomentadas para não termos de comer milho transgénico, pescada espanhola e fruta de todo o mundo, menos de Portugal.
O apoio aos que podem investir fora do país para trazer para Portugal mais-valias, também deve ser fomentado.
Os negócios escuros, os cartões de crédito e os «off-shores» deveriam ser bem vigiados ou, se possível, banidos.
As propagandas políticas não podem ser à custa do contribuinte. Os meios de comunicação, pelo menos os estatizados, deveriam ceder espaço igual a todos os partidos, independentemente do número dos seus militantes. Depois das eleições, o máximo que poderia ser feito era dar, a cada partido ou indivíduo isolado, uma quantia, igual para todos, de acordo com o número de votos a seu favor. Isto até poderia reduzir a abstenção porque todos os partidos forçariam a votação e saber-se-ia, com maior rigor do que até agora, o desejo político-ideológico do povo.
A propósito, o anúncio da visita de Sua Santidade o Papa a Portugal poderia ser feito no dia de Todos os Santos em vez de ser antes de se elegerem todos os deputados e autarcas. Isto seria não ajudar dissimuladamente algum partido, embora existam desmentidos categóricos em sentido contrário.
As «mordomias» e os «vencimentos» dos dirigentes, comparando país/país e vencimento mínimo/vencimento máximo, impostos mínimos e máximos e outras benesses, deixam muito a desejar e, antes de tudo deveriam ser remodelados.
Além disso, a «folha de serviço», como se dizia na tropa, dos que nos vão gerir durante quatro anos, nunca é conhecida do grande público. Nenhum membro do Governo deve pertencer ou ter pertencido a qualquer «lobby» ou grupo de pressão, quer seja de Macau ou de qualquer outro tipo. O cponhecimento dos «bens» com que esses governantes entram e saem da governação é, geralmente, sonegado apesar de haver leis em sentido contrário e que deveriam ser rigorosamente respeitadas. O escrutínio do seu passado também deveria ser tido em conta. A videovigilância não chega. Deveria haver também uma «biograficovigilância», porque o povo diz que «cesteiro que faz um cesto, faz mil». Poucos se «abrem», a não ser para mostrar o lado anedótico ou superficial das suas vidas.
Deveria ser proibido o vocabulário de «cabala», «faits-divers», «campanha negra» ou outro congénere que desvirtua a seriedade dos políticos.
No final, é essencial e imprescindível que exista no boletim de voto um quadradinho em que os eleitores possam dizer: «não concordamos», sem ser necessário acrescentar: «vocês são todos uns grandes aldrabões».

Cão: Já não falas mais? Estás cansado.
Pincha:
Não é bem cansaço. É que já não me recordo do muito que pensei e daquilo que falámos anteriormente, além das imensas críticas que vou ouvindo em todo o lado. Ainda tenho muita coisa na cabeça que não me sai pela boca fora, mas estou a reparar que ninguém me está a ouvir a não ser tu. É frustrante. A campanha eleitoral deve ser muito mais divertida. Senão, eles não a fariam com tanto gosto e convicção. Todos disseram que iam ganhar e, depois do sufrágio, todos dizem que ganharam. Mas a eles, pelo menos alguém os ouviu falar e os aplaudiu. Oxalá que o novo governo cumpra o que prometeu e não continue com as asneiradas feitas pelo último. Agora vai ser tudo novo, com o novo Primeiro-Ministro Socatres pintado de fresco e com cores vivas!





CONFUSÕES, INSINUAÇÕES E DÚVIDAS

23 09 2009

Cão: Ainda bem que me encontro contigo. Sabes o que me disse o meu novo amigo, o velho do portão, acerca da votação no Domingo?
Pincha:
Não sou bruxo. Podes falar que não sei coisa alguma acerca do velho. Mas também podes saber que vou arriscar na minha votação. Seja o que Deus quiser. Não posso deixar o País nas mãos de quem não gosto e que nada de bom fez nos tempos anteriores. Para isso, bastavam o Salazar e o Marcelo Caetano de quem falámos no post AS «MANIGÂNCIAS» DO ESTADO NOVO, de 3 de Agosto último. Mas estou ansioso em ouvir o que o velho te disse embora tenha andado estes dias a vasculhar os caixotes de reciclagem a ver se encontro uma ideia melhor do que aquela que tive.

Cão: Então, senta-te que a conversa vai ser longa. Como eu não  conseguia interromper e interpelar o velho, ele foi ficando a falar e a explicar de acordo com o que adivinhava no meu olhar e postura.
Pincha:
Vá lá. Conta-me tudo de seguida, que prometo não te interromper.

Cão: Quando ontem passei pelo velho ouvi com atenção a sua conversa e vim logo à tua procura para te elucidar mas não te encontrei. Já sei agora a razão da tua ausência. Pela tua cara parece que não encontraste nada de novo e válido.
O velho disse-me que estava muito baralhado e que a sua ideia inicial de votar no partido que nunca esteve no Governo estava a tomar uma forma cada vez mais clara.

Referiu-se ao governo de Mário Soares durante o qual se apertou o cinto para nunca serem tomadas medidas de fundo que pudessem desenvolver Portugal.
Com o governo inicial de Cavaco Silva, parecia que a coisa ia bem e, por isso, votou nesse partido para se arrepender passados seis meses. De tal forma ficou revoltado com a arrogância do «deixem-me trabalhar», a eliminação do feriado de carnaval, a construção de obras de fachada desnecessárias, o aumento de «alguns vencimentos e prémios» e a ausência de fomento para a melhoria das nossas indústrias, que resolveu nunca mais votar nesse partido que promete muito, esquece-se depressa das promessas feitas e faz tudo ao contrário, muito discricionariamente. Temos o exemplo dos seus sequazes e aderentes até muito «honestos» e «esquecidos».
Com Guterres, a continuação do
dolce farniente continuou até chegarmos a um pântano.
Durão Barroso, com a bênção de todos, emigrou patrioticamente para a Europa onde, da maneira como caminhamos, nunca estaremos, a não ser no papel. O aliado deles também não é de confiança embora apresente, às vezes, inicialmente, boas ideias.
Com o Santana viu-se o que aconteceu e pode vir a acontecer em Lisboa se a memória dos lisboetas for curta.

Com o Sócrates, os boatos, as suspeições, os silêncios, os desmentidos, as manipulações dos bastidores, etc. etc. são o pão nosso de cada dia. A Justiça continua má e favorável para os grandes e criminosos. A educação ainda manca bastante embora tenha melhorado um pouco. Nas obras públicas, os camelos passeiam no deserto sob a batuta do engenheiro «engenheiro». A agricultura, a pecuária e a pesca modificam-se para pior cada dia que passa. As indústrias parece que andam mas não dão um passo para a frente embora tenhamos bons engenheiros, artesãos e desenhadores. Os milionários crescem como cogumelos sem ter de pagar impostos e, provavelmente, a receber subsídios do Estado.
No meio desta confusão, ele vai votar em quem ainda não mostrou as suas capacidades, incapacidades, honestidade ou jeito para a vigarice.
Se estes também falharem para por um travão num dos partidos que tiver a maioria, só lhe resta emigrar, se calhar para um local mais perto da sua residência onde nunca mais tenha de votar e aceitar as vigarices daqueles que também ele ajudou a estar no poleiro.
Pincha:
Concordo com a ideia do velho e fico mais descansado porque acabei de chegar à mesma conclusão. Mas porque razão desconfia ele dos dois partidos melhor colocados nas sondagens?

Cão: A respeito do que está actualmente no governo já sabes. A respeito do outro, além daquilo que ouviste, ainda vai a reboque de quem diz que não quer interferir na campanha das eleições, deixa uma suspeita ficar em banho-maria mais do que um ano, diz que não quer interferir antes das votações e demite o homem chave antes das eleições para depois não dizer coisa alguma? Isto é coerência? E falou tantas vezes em tanta coisa até durante as férias! Ou não dizia que não se queria intrometer, ou não demitia o homem antes das eleições, ou dizia aquilo que se estava a passar. Assim, deixa todas as pessoas em suspeição e cada vez mais desorientadas. Pincha: Vamos ver o que se vai passar depois das eleições. Oxalá que o novo partido que nunca ganhou, vença também e fique com força no Governo sem fazer aquilo que os outros fizeram e continuarão a fazer.

Cão: Parece que gostaste das reflexões do nosso amigo, o velho do portão?
Pincha:
Sim. Até a vinda intempestiva dos «queridíssimos» pais da Maddie a Lisboa fez-me criar na mente uma associação com os nossos políticos: imprevisíveis e irresponsáveis. E a mãe dela a emocionar-se muito ao falar da filha quando nunca se lhe vislumbrou um pingo de emoção ao anunciar que a criança tinha desaparecido! Essa mãe também estará a treinar-se para a política? Que seja, pelo menos, na terra dela…





VOTAR EM QUEM?

21 09 2009

Cão: Já sabes em quem vais votar?
Pincha:
Atenção. Fala mais baixo. Pode alguém estar a escutar-nos. Todo o cuidado é pouco.

 Cão: Estás com medo de alguém?  
Pincha:
Não sei em quem devo confiar. Se até na Presidência da República um funcionário é demitido sem saber porquê, achas que não devo tomar as minhas precauções?

Cão: Então, vou dar uma volta rápida à roda do nosso banco de jardim e oferecer um presente líquido, uma rosnadela ou uma dentada em quem não me agradar e não se afastar a tempo. Depois, julgo que poderemos falar à vontade, ficando tu de olho alerta. Eu também ajudo.   
Pincha:
Assim, fico mais descansado. Vai dar a volta e depois podemos começar a dialogar.

Cão: A respeito das eleições, o homem do portão, o tal velho, também quer saber a nossa opinião.
Pincha:
O que te posso dizer sinceramente, é que os últimos dias me deixaram menos indeciso e também mais esclarecido. São todos uns aldrabões, uns mais do que os outros. Só pensam nos seus jogos políticos, nas actuais benesses e nos futuros tachos para quando saírem da governação ou da política e pouco se importam com o que interessa ao povo ou lhe pode trazer um modo de vida menos desfavorável. A preocupação principal deles é fazer vingar exclusivamente a sua ideia quando todos os partidos têm afinal algumas boas ideias e muitas más. Quando será possível fazer com que vários partidos se juntem para vingar uma ideia comum, vantajosa para a maioria dos cidadãos, sem prejudicar as minorias?

Cão: Sabes quando é o dia de São Nunca? Nesse dia  talvez consigas vingar a tua ideia. Por enquanto, tens de te contentar em vasculhar os caixotes de lixo e de reciclagem para descobrir algo de novo.  
Pincha:
Tens razão. Senão, dentro em pouco teremos novas eleições como muitos proclamam e utilizam para meter medo aos outros. Qual a razão de se utilizar esse argumento? Qual a razão de o Presidente da República não ter desfeito o equívoco e a suspeição criada por um seu assessor, em relação às escutas, dizendo inicialmente que não queria desviar as atenções da campanha eleitoral e demitinto-o dias depois? Será para dar aos eleitores motivos para suspeitarem que o Governo teria andado a escutar os serviços da Presidência? Com que intenções? 

Cão: Que é que tu achas quanto a isso? E quanto às eleições? 
Pincha:
Muito simplesmente, depois das minhas rondas e dos falatórios que vou ouvindo através da rádio, da TV e da boca dos que por mim passam, acho que descobri nos contentores de reciclagem alguém que, nos últimos anos, apesar de governar mal e de ter feito muitas asneiras, conseguiu fazer menos do que aquelas que se fizeram nos anos antecedentes, a começar pelo «monstro» que foi criado na economia e que deu com as patas no «pântano». Se os indivíduos da maioria absoluta que fizeram asneiras e cometeram algumas prepotências, agora, com minoria, puderem ser travados por outros que consigam ter algum bom senso e não queiram ser radicalistas por não terem força para isso, talvez se possa conseguir uma salvação para a derrocada que será inevitável dentro de pouco tempo. Vimos o que aconteceu com a Câmara Municipal de Lisboa. Vimos o que aconteceu com um governo que se desfez em pouco tempo para o seu responsável ir abichar um tacho no estrangeiro, em nome deste País e com pretenso benefício para o mesmo. Não descubro qual o benefício que possamos estar a usufruir a não ser o de dizer, muito simplesmente, que o «manda-chuva» é português. O que me interessa isso? Para isso chegam os jogadores de futebol. Os outros, que mostrem o que valem cá em casa.

Cão: Parece que estás a dizer que a direita não presta. 
Pincha:
O que digo é que a direita está mais preocupada com os empresários do que com o povo que trabalha, isto é, com 15% a 20% da população. E os restantes 80% não são filhos de Deus? Até no partido que se diz socialista existem os da direita. Vejam-se os gestores que abundam e que recebem prémios chorudos mesmo que as suas empresas tenham prejuízos. E fartam-se de lamuriar porque recebem menos do que os dos restantes países de Europa! Que rica democracia!

Cão: O que é que propões?
Pincha:
Eu queria uma esquerda coerente e a favor da democracia; não do fanatismo ideológico e espúrio que fala em amplas liberdades enquanto cria campos de concentração. Também não estou interessado numa democracia chamada da direita que deixa os mais ricos e poderosos escravizar os mais pequenos com as chantagens que sobre eles exerce, até em relação aos pequenos benefícios que cada um possa auferir. Preferia um centro em que a democracia, a liberdade, o progresso e o bem-estar de todos pudesse ser uma realidade actual, tangível e atingível.

 Cão: Afinal, vais votar em quem?
Pincha:
Em alguém que já demonstrou ter feito menos asneiras e vigarices do que outros e que possa ser travado por outro que não é favorável aos privilégios exagerados dos mais poderosos e que também possa travar os desmandos dos primeiros, como dizia o poeta.

Cão: Com que então, vais à esquerda com cautela.
Pincha:
Parece-me que é a única via para não nos estatelarmos. Doutro modo, nem as eleições dentro de dois anos nos poderão salvar. É que dois anos é tempo demais para fazer disparates, especialmente quando são pessoas que já demonstraram a sua capacidade em os fazer depressa e em abundância. Lembra-te das nossas conversas anteriores e fala com o teu novo amigo, o velho do portão, para saber se ele concorda com esta ideia.





O VETO PRESIDENCIAL

27 08 2009

Cão: Achas bem que o Presidente tenha vetado a lei sobre as uniões de facto incluindo as homossexuais?
Pincha:
Acho óptimo. Embora estando de férias «deixaram-no trabalhar» como ele sempre quis. Já conversámos num post anterior nas uniões e nos casamentos entre homossexuais. Para mim, ou eles mudam o conceito de casamento, união de facto, etc. ou fazem uma legislação específica onde se enquadrem pessoas com conceitos de sexualidade diferente daquela que tradicionalmente se tem utilizado entre nós.

Cão: Então, és contra as uniões homossexuais.
Pincha:
De modo algum. Concordo com quem quer viver conjugalmente com pessoas do mesmo sexo, mas chamem a essa união uma coisa diferente das outras. Podem proporcionar mais ou menos regalias. Para mim, não é isso que conta. O que não posso admitir é que se confunda tudo dando o mesmo nome a coisas diferentes. Já chegam os nomes similares das ruas e das povoações que abundam no nosso país. Não é necessário criar mais confusões como se verifica, às vezes, com Rua XPTO, nº 20; Urbanização XPTO, nº 20; Urbanização XPTO, lote 20; Rua XPTO, lote 20; etc., todos na mesma localidade, para os correios poderem entregar as cartas no local exacto sem desperdício de tempo e desvio de correspondência. Em tempos, a pedido dos correios, a câmara da Nazaré teve de renomear todos os lotes dando a cada casa um número não sobreponível a outro. E tudo ficou resolvido em bem. Se fosse assim…

Cão: Se pensas assim, porque concordas com o veto?
Pincha:
Já te esqueceste do licenciamento precipitado do Freeport e de outras alterações feitas na Portucale, de certas nomeações vinculativas ao Estado, etc. em vésperas de fim de mandato? Todos os partidos fazem isso, especialmente quando «lhes cheira» que vão perder as rédeas do poder. Ficam de bem com alguns, provavelmente, a beneficiar de alguma compensação posterior, se não tiver sido proporcionada antes. Estará o partido do poder a dar um presentinho a alguém ou estará a angariar votos dos que ficam «beneficiados» com a legislação?

Cão: Já estou a perceber.
Pincha:
Temos de saber ler nas entrelinhas e não nos deixarmos enganar facilmente. No fim do mandato, para quê tanta pressa na legislação? O Presidente tem de zelar pelos interesses de todos. Que este assunto bastante importante para uma população, tendencial e predominantemente católica, seja discutido amplamente com bastantes debates televisivos e boa participação dos cidadãos! Nada de precipitações. Há assuntos muito mais importantes a ter em conta e a discutir. Senão, ficamos na mesma situação dos PDM que são alterados apressada e subtilmente quando o «interesse nacional» de alguns governantes e legisladores se situa nos bolsos das suas calças ou casacos. Quantas vezes não aconteceu isso na legislatura de qualquer dos partidos que diz estar a governar para o bem comum? Como eles também pertencem a este bem comum e como a boa caridade começa pelo próprio o bolso deles fica mais próximo.

Cão: A propósito do Algarve, viste a reportagem sobre os marroquinos?
Pincha:
Tive imenso prazer de ouvir dizer bem dos portugueses. Os portugueses são assim, a não ser que sejam originários de «casamentos dos sarilhos» que também comentámos em tempos. Ouviste o reparo que o marroquino fez quanto a isso? E não ofendeu seja quem for apesar de o terem ofendido. Se a religião de alguns serve para isso, que arranjem outro Deus para os que não concordam com eles. Para mim o Deus «dos satrilhos», com bancos e honrarias à mistura não serve. O meu Deus é diferente; igual para todos, quer sejam da sua religião ou não. Já compreendeste porque digo que temos de pensar bem e distinguir todas as tonalidades antes de irmos votar nos «trafulhas» escondidos em muitos dos candidatos camuflados de democratas? Quer sorriam, dêem abraços, mostrem-se zangados, indignados, virtuosos ou façam palhaçadas! Que deixem cada um pensar por si e resolver a que pressões se deve sujeitar. “Gata apressada pode parir filhos tortos.”

Cão: Então achas que o veto foi bem aplicado!
Pincha:
Dizer bem é pouco. Foi optima e oportunamente aplicado, até com o furto de algum tempo das suas férias numa terra tão boa como o Algarve. Que o novo governo saído das novas eleições se avenha com este intrincado problema.





A ASFIXIA DA DEMOCRACIA

26 08 2009

Cão: Ouviste falar, outro dia, na asfixia da democracia?
Pincha:
O quê? Deitaram as mãos ao gasganete da velha?
 
Cão: Qual velha?
Pincha:
Da velha «política» de há mais de 25 anos que sorri forçadamente quando lhe convém?

Cão: Mas porque te lembraste dela?
Pincha:
Porque julguei que tinhas dito «democrata» e não democracia. Ela é a única que, além de democrata, cumpre o que promete e até aquilo que ainda não teve oportunidade de prometer.

Cão: Achas que ela é tão certinha?
Pincha:
Com toda a segurança. Quando esteve no Governo não viu democraticamente o rabo do aluno? Não se entendeu com os árabes, numa democracia directa, nas questões financeiras? Não foi democraticamente simpatizante do Isaltino Morais e do Valentim Loureiro? Não apoiou democraticamente o Durão Barroso nos tempos em que ele esteve a implementar o TGV? Não pôs agora «de molho», democraticamente, o seu rival Passos Coelho? Não deixou de dar apoio, democraticamente, a Gonçalves Amaral? Não se aliou agora democraticamente a António Preto? E tantas outras coisas das quais não nos lembramos e que se vão descobrindo, democraticamente, a pouco e pouco, à medida que o tempo passa? Com tantas provas de democracia directa e inconfundível, passada, actual e futura, queres ainda mais? Que falta de crença nos políticos mais carismáticos? Se não concordas comigo, tu és uma ofensa à democracia mais pura, «d´aquém e d´além-mar». Não vês que ela está a ser elogiada até pelo democrático Jardim? Ainda bem que Sá Carneiro não a vê! Senão, ficava envergonhado. Confia na profetisa e vais ver que, mesmo na noite das eleições, começas a ganhar um salário muito superior ao da média europeia sem ter de esperar os quatro anos de mandato que Cavaco Silva propunha antes de entrar nas suas antigas funções… Ah, desculpa. Tu não tens salário!

Cão: Já estás a fazer lembrar muita coisa. Mas é só isso?
Pincha:
Já te esqueceste do recente folhetim de Joana Amaral Dias? Da telenovela incompleta do Freeport com actores, comparsas, figurantes, encobridores, prestidigitadores, etc.? E as pressões, empurrões, cascas de laranja ou de banana com que se enfeita o caminho de muitos profissionais que tentam ser íntegros? Ainda te lembras dos contratos rescindidos ou transferências efectuadas porque alguém «ladrou» fora do tempo e do momento oportuno em mi maior em vez de ser em sol menor? É muito mais interessante do que qualquer dos autos ou farsas de Gil Vicente. E é de borla. Também ainda não acabou o «script» do BPP e BPN com «gags», lapsos, «buchas», improvisos, gestos de magnanimidade dos antigos administradores e complacências do Governo. O que mais irá acontecer? Quem se lembra também agora das nacionalizações das «amplas liberdades»; «o que é meu é meu, o que é teu é nosso»? E das bombas e incêndios de sedes de partido? Porque não se explica devidamente o atentado contra Sá Carneiro e o desvio de fundos do Ministério do Ultramar destinado a armas?

Cão: Estás a lembrar-te de coisas a mais. Vê lá se te provocam alguma indigestão.
Pincha:
Estou a lembrar-me de coisas a menos. Muito mais haveria que dizer e recordar mas aquilo de que estivemos a falar e continuamos, deve chegar para decidir se desejamos fazer algum contrato de prestação de serviços com estes maltrapilhos que querem enriquecer e subir na vida à nossa custa. Às vezes, quando vamos a um supermercado e não temos dinheiro para adquirir o que desejamos, temos de ficar à espera que os funcionários deitem fora as sobras ou as mercadorias fora de validade. Não temos outra solução a não ser ir para junto dos caixotes de lixo. São cenas do quotidiano, especialmente entre os emigrantes a quem os que mais podem se fartam de explorar.       

Cão: De que outra maneira poderiam os candidatos chegar a ser eleitos?
Pincha:
Fazendo a promoção à sua custa ou à custa dos seus partidos. Os meios de comunicação social, especialmente os estatizados ou intervencionados, serviriam para isso. Seriam de evitar as desigualdades de debates apenas a dois, a não ser que todos pudessem ter igual acesso. Mas, deste modo, esses debates não teriam fim e aborreceriam os espectadores. O melhor seria fazer debates, tantos quantos necessários, com todos, com controlo do tempo, para que os eleitores pudessem tomar a noção, tão exacta quanto possível, das verdades, mentiras, realidades e ilusões, expostas por cada partido ou cada candidato isolado. Assim, poderíamos dizer «sim» a um deles ou «não» a todos, com honestidade e sem subterfúgios ou soluções de conveniência. As empresas ou até o Estado, quando contratam os seus empregados não lhes atribuem um subsídio para eles prepararem os seus currículos ou «favorecerem» a sua imagem. É sem subsídios e à custa dos próprios que os candidatos se orientam. Nas eleições, não são os contribuintes que escolhem e pagam os eleitos com base nas mentiras e ilusões que eles nos impingem à nossa custa?

Cão: Afinal, o que queres tu?
Pincha:
Antes de tudo, não quero um Portugal amordaçado mas sim um Portugal livre. Deixem-me dizer aquilo com que não concordo e criticar honestamente, sem uma Censura disfarçada a cortar-me a palavra e uma Pide camuflada a seguir-me os passos. Deixem que os outros portugueses também possam fazer os seus juízos de acordo com os desejos e convicções de cada um, incluindo o dizer que são vigaristas e não nos interessam os políticos a quem damos cerca de 3 euros no momento de metermos o voto na urna, além de mais «algum» adiantado para a sua campanha de maledicência

Cão: E ficas satisfeito?
Pincha:
Não. Depois das próximas eleições, estou com receio de «apanhar» com a arriba em cima de mim como aconteceu na praia Maria Luísa, na Albufeira. As fissuras e as fendas são tantas na nossa sociedade e sistema eleitoral que, mesmo sem tremor de terra, qualquer situação «normal» pode provocar o desabamento de terras com um «governo» que julgávamos seguro. E quem vai apanhar com as pedras em cima, somos nós. Os sobreviventes que se cuidem porque dos mortos já não rezará a história! Para uma democracia real e verdadeira, só uma instrução bem difundida e uma educação sólida podem evitar essas fissuras que não se detectam apesar das inspecções.





O TERRORISMO HERÓICO

25 08 2009

Cão: Ouviste a notícia e viste o modo como Abdelbaset Ali al-Megrahi, o terrorista líbio que fez explodir o avião em Lokerbie, solto da prisão por razões humanitárias, foi recebido na sua terra natal?
Pincha:
Vi. Até o filho de Khadafi foi abraçá-lo em público considerando-o um herói e apresentando o seu regresso à sua terra como uma vitória.

Cão: Achas bem?
Pincha:
Acho mais interessante saber o que dirá o nosso colega de blog psicologiaparaque se tiver dado atenção à notícia. Seria previsível?

Cão: Esperemos para ver.
Pincha:
Entretanto, não sei porque razão Tony Blair esteve na televisão a dizer que não teve influência no caso e que nem ofereceu quaisquer contrapartidas. Parece-me conversa fiada. 

 Cão: Achas bem que um terrorista frio e calculista, mesmo por razões humanitárias, seja libertado da prisão depois de ter «morto» centenas de passageiros que nada tinham a ver com a sua luta política? E as razões humanitárias que não foram por ele consideradas no momento do seu atentado?
Pincha:
Tens razão. Também concordo contigo. Se fossem apenas danos materiais infligidos aos seus adversários políticos ou se estivesse em guerra com o seu inimigo, talvez se pudessem invocar as razões humanitárias. Mas do modo como as coisas se processaram e a insistência das autoridades líbias em não entregar o criminoso para ser julgado na terra onde cometeu o crime, tem muito a ver com outras razões, motivações ou interesses.

Cão: Que é que queres dizer com isso?
Pincha:
Que acho esquisito Tony Blair entrar nesta confusão e vir dizer publicamente que não fez quaisquer concessões. Repara que no caso da «Maddie» o embaixador inglês deslocou-se num ápice ao Algarve. Porquê? Para desmentir alguma coisa ou para investigar? Porquê tanto mistério, fundos de ajuda, explicações, contradições, pistas falsas, assessores ministeriais para a comunicação social? Seria para «enfiar o barrete» aos pacóvios? Qual a razão de tanta confusão no caso de Freeport? Gato escondido com rabo de fora ou rabo escondido com o gato de fora? Tudo isto me deixa desiludido com os políticos que, mesmo nos outros países, deixam muito a desejar, como por exemplo, já aconteceu sobejamente nos Estados Unidos e na Inglaterra. Não falo daqueles que são dum mundo que se levanta para a luz do sol. É admissível que, depois de tantos anos de escravidão, tenham aprendido com os seus mestres anteriores todos os truques duma «boa governação». O Barraca Abana irá mudar este estado de coisas «sem levar um tiro» ou entrará no sistema?

Cão: Veremos o que o tempo nos irá trazer. E a prescrição da dívida de dois milhões de José Veiga que esteve envolvido nos negócios do Benfica, também é conversa fiada?
Pincha:
Não sei se terás de fazer a pergunta ao Tony Blair ou ao seu correspondente em Portugal. Parece-me que em todo o lado os negócios políticos são os mais transparentes que se podem imaginar. O importante é a cor das lentes de quem os observa. Agora, com a moda, já se compreende melhor como as coisas podem mudar de cor de acordo com os óculos. No Freeport também não houve gente que viesse dizer que nada tinha a ver com o caso depois de ter estado lá dentro nos primeiros tempos e de se ter «afastado» agora, numa óptima vivenda, para uma estância de verão? As coisas são assim e nós temos de nos adaptar a elas com uma melhor actividade democrática, com escolha criteriosa, crítica e vigilância social. Todos eles são transparentes e inocentes até serem julgados culpados e de terem os processos na execução final a ser iniciada depois do momento da prescrição. Por isso, temos de ter todo o cuidado com a transparência dos candidatos e dos seus programas políticos. Uma má escolha pode ser-nos fatal, mesmo que os candidatos apareçam muito sorridentes e simpáticos.

Cão: Voltando a esse Abdelbaset Ali al-Megrah, ele também,  podia ficar na prisão mais uns tempos até lhe dar o «fanico» final. Assim, teria a pena de prisão perpétua «prescrita» por não ser cumprida.
Pincha:
Concordo contigo. Não compreendo a razão de se julgarem casos que se «vão deixar» prescrever ou ficarem com as penas comutadas. Mais valia não perder tempo e dinheiro em investigações e julgamentos inúteis «só para inglês ver» como aconteceu também com a «Maddie». Com o Veiga não sabiam o que ia acontecer? Quem fez essas leis? Para que queremos governantes e políticos que fazem leis que vão «seguramente» favorecer os mais poderosos nas posições sociais e económicas? Se a multa fosse aplicada a um «pequeno» teria alguma prescrição ou estaria todo o fisco a ser «açulado» para «caçar» essa multa o mas depressa possível, até com o arresto dos bens do desgraçado? Não me digam que os legisladores não sabem de antemão que as mesmas irão favorecer determinados sectores da sociedade à qual eles pertencem ou fazem tudo para pertencer. Se calhar, mesmo antes de fazerem as leis já estão a programar as saídas de emergência para um final feliz, sem se sujarem.

Cão: Tens cada uma! O que queres dizer com esta tua constatação?
Pincha:
Soubeste do carro do Pinto da Costa que atropelou hoje, numa rua muito estreita, perto do tribunal, um fotógrafo que estava a tirar fotos de Carolina Salgado? Queres verificar que dentro de pouco tempo «todos» vão ajudar a «provar» que os ocupantes do carro, depois de atropelar publicamente uma pessoa, pela qual passaram de rés-vés, não viram nem sentiram coisa alguma, até depois do polícia ter batido no tejadilho do carro? Aqui só faltam, à vista desarmada, o Coronéu e os capangas. Se o «atropelador» fosse um «desgraçado» seria imediatamente «crucificado» pela opinião pública porque este tinha a obrigação de ver e ouvir, além de socorrer o deagraçado, ao passo que o outro SENHOR tem o direito de não ouvir, não ver, nem dar por coisa alguma de anormal. A televisão não disse que o indivíduo tinha sido perseguido e detido. Há anos, o Barão da Batata quase ameaçou um polícia e nada lhe aconteceu. Se calhar, até o polícia teve de lhe ir pedir desculpas pelo sucedido. Se o nosso país continuar assim, com governantes, legisladores e leis do tipo que estamos a ter, que venha Salazar pôr cobro a todos estes desmandos porque, com ele, pelo menos os Senhores eram em menor quantidade.

Cão: O que queres com esse teu raciocínio?
Pincha:
Que haja justiça justa e para todos. Sem isso não há democracia.





HAJA JUSTIÇA, JUSTA E PARA TODOS

19 08 2009

 Cão: Ouviste dizer na TV que os polícias até têm de pagar custas do processo quando são agredidos, defraudados nos seus bens e os agressores «arranjam» uma justificação de que são «pobres»?
Pincha:
Já ouvi e fiquei muito «sensibilizado» com a Justiça que temos neste país. Não existem dúvidas que vivemos num país das maravilhas que são só para alguns que as vão usufruindo, cada qual à sua maneira.

Cão: E os guardas-nocturnos que não têm direito a porte de arma e são facilmente identificados com os dísticos que agora devem exibir?
Pincha:
Acho que não está «mal». O que eles podem fazer é ir para o meio da praça e gritar: “Aqui estou eu. Venham todos que não tenho medo.” Não há quem pergunte: “Quantos são, quantos são”? Ninguém se meteu com este. Os outros têm de se treinar para serem como o King Kong do filme em que o gorila sobe para uma torre e bate com as mãos no peito enquanto os outros o tentam atacar. Para que me serviria um guarda-nocturno com estas características a não ser para servir de testemunha … se conseguisse sobreviver a um tiroteio?

 Cão: E as violações que foram noticiadas na TV hoje à noite?
Pincha:
Achas mesmo que isso tem importância? São raparigas novas que estão habituadas a ir aos festivais e esperar muitas horas. Assim, pelo menos os agressores ficam em liberdade condicional antecipada para se irem habituando ao que pode vir a acontecer se forem apanhados e condenados. É uma forma de adquirir novos hábitos. Depois de o Presidente do Instituto de Medicina Legal ter explicado que havia escassez de especialistas o Ministério da Justiça não «resolveu» tudo? Explicação de técnico e palavra de governante. A ver vamos.

Cão: E ouviste o juiz dizer no debate da SIC que eles «trabalham» com os instrumentos jurídicos que possuem?
Pincha:
Sim. Até deu exemplos da agressão na Esquadra de Polícia de Portimão e um outro do qual não me lembro. De facto, a maioria trabalha com os instrumentos que tem e não se lhes pode exigir que façam omeletas sem lhes disponibilizar ovos ou proporcionar-lhes a sertã e o fogão onde vão cozinhar. Por exemplo, se nos socorrermos do melhor «chefe» de cozinha para ele confeccionar alguns pitéus e não lhe dermos os ingredientes necessários, os utensílios exigidos e as condições para uma boa actuação, não o poderemos culpar de não preparar as iguarias que deliciavam os seus consumidores no restaurante onde ele trabalhava.  

 Cão: Então, o que achas que falta à Justiça?
Pincha:
Antes de tudo, leis e legisladores que preparem instrumentos de trabalho com os quais os «aplicadores» da justiça possam trabalhar, em consciência e com consciência. Para isso, também estes devem necessitar de conhecimentos, idade (maturidade), bom senso e treino adequados o que, em meu entender, é muito difícil ser conseguido nos dias de hoje. Mas para que tudo isto seja possível e exequível, são necessários pelo menos três pressupostos:
- uma boa equipa, estabilizada no tempo, que trabalhe e mantenha a sua continuidade no Ministério de Justiça;
- um bom Ministro da Justiça que assegure uma política correcta, justa e rápida;
- um conjunto de bons especialistas que não fiquem sujeitos às implicações das flutuações partidárias, porque a justiça é para todos e não para alguns, independentemente do partido a que pertença o sujeito.          

 Cão: Queres dizer que achas o actual Ministro da Justiça inadequado para o cargo?
Pincha:
Só eu? Os seus «confrades» de Macau o que dizem? Contudo, ele garantiu que não, e que é «o melhor», e até invocou Sá Carneiro e os outros partidos para justificar as suas actuações. A palavra de alguns faz fé como no caso dos contentores de Alcântara. Portanto, a do Ministro muito mais! Mas, como eu não pertenço a qualquer «confraria», posso não achar suficientes as suas palavras. A própria Justiça exige provas…

Cão: Não acreditas mesmo?
Pincha:
O que diria o Ministro da Justiça se o caso dos polícias se passasse com um governante? E os políticos o que exigiriam? O grande problema é não acontecer muita coisa aos «manda-chuvas» que são protegidos por estes desgraçados que, às vezes, têm de trabalhar em situações de risco para aguentar a família que vive só do seu ordenado. Se houvesse que «multar» um motorista duma viatura oficial por excesso de velocidade ou embriaguez do condutor quem pagaria a multa se este profissional tivesse sido coagido pelo ocupante da viatura a conduzir naquelas condições? O que aconteceu ao tal magistrado que tinha a pressa dos mais de 200 km à hora? E é dos poucos casos de que temos conhecimento público! Quantos mais não serão do conhecimento da Polícia que até, por acaso, podia estar distraída no momento e não ter dado pela infracção? Para uma boa governação, até a começar pelo «fumo», o exemplo deve vir de cima,  a começar pela declaração total, pública e honesta de todo o património movível e amovível, à entrada e à saída do «posto de trabalho». Caso contrário teremos muitos que os queiram imitar a todo o custo. Só falo daqueles que puderem!
Haja justiça, mas justa. Quando há pão é para todos.